Capacidade e conectividade no transporte público – o transporte público enfrenta desafios que não podem ser tratados sempre da mesma maneira. Em alguns casos, o problema está relacionado à capacidade: é preciso transportar um grande número de pessoas em determinados horários e trajetos. Em outros, a dificuldade está em conectar as pessoas ao sistema de transporte, especialmente onde as linhas fixas não conseguem atender toda a demanda.
Essa diferença esteve no centro da participação da Optai no Painel 3 — “Tecnologias (ITS) que melhoram a mobilidade urbana” — realizado durante a Latbus 2026, no São Paulo Expo.
Representando a Optai, o Sócio Diretor Humberto Maciel apresentou uma visão baseada em dois desafios de naturezas distintas: capacidade e conectividade.
Quando o desafio é capacidade
O transporte de massa tradicional continua tendo um papel fundamental quando existe uma concentração de demanda que pode ser prevista.
Rotas fixas, pré-definidas, associadas a veículos de grande capacidade, são adequadas para transportar muitas pessoas em determinados corredores e horários. É uma estrutura que responde justamente ao desafio de capacidade.
Por isso, a discussão sobre novas tecnologias não precisa partir da ideia de substituir o modelo tradicional.
Existe outro problema que começa quando a demanda se torna menos concentrada, menos previsível ou está localizada fora do alcance das linhas existentes.
É nesse ponto que aparece o desafio da conectividade.
O desafio de conectar pessoas ao sistema
Ter uma rede de transporte estruturada não significa, necessariamente, que todas as pessoas estejam bem conectadas a ela.
Existem situações em que uma linha fixa não consegue atender determinada região ou acompanhar a demanda real de passageiros. O último quilômetro e as áreas de baixa densidade são exemplos de situações em que a conectividade se torna mais complexa.
Nesse cenário, simplesmente aumentar a capacidade dos veículos ou criar novas linhas fixas nem sempre representa a resposta mais adequada.
O desafio passa a ser outro: como conectar as pessoas ao sistema de transporte de maneira mais adaptável?
É justamente nesse ponto que entram o transporte sob demanda e a integração entre diferentes modos de transporte.
DRT e MaaS como complementos
O conceito apresentado por Humberto Maciel não coloca as novas tecnologias como substitutas do transporte de massa.
A lógica é de complementaridade.
O transporte tradicional continua respondendo ao desafio da capacidade. Já o DRT — transporte sob demanda pode atuar onde é necessário um serviço que se adapte à demanda real.
Da mesma forma, o MaaS — Mobility as a Service trabalha com a integração multimodal, permitindo conectar diferentes modos em uma jornada de mobilidade.
A relação pode ser resumida da seguinte forma:
Capacidade → transporte de massa tradicional → rotas fixas e veículos de grande porte.
Conectividade → DRT → serviço que se adapta à demanda real.
Conectividade → MaaS → integração multimodal em uma jornada única.
É uma diferença importante porque ajuda a enxergar a tecnologia não como uma ruptura com aquilo que já existe, mas como uma forma de completar a estrutura de transporte.
Onde a inteligência artificial entra nessa discussão?
Outro ponto abordado por Humberto no painel foi o papel da inteligência artificial na análise e organização dos dados.
Existe uma equação difícil na operação de transporte: equilibrar eficiência com custos reduzidos, conforto na utilização do serviço e flexibilidade nas rotas e serviços.
O problema é que essas três variáveis não podem ser atendidas integralmente ao mesmo tempo.
Quando se prioriza custo e flexibilidade, por exemplo, o conforto e a experiência do usuário podem ser comprometidos. Quando se busca combinar experiência e custo, a flexibilidade tende a ser afetada. Já quando flexibilidade e conforto são priorizados, os custos tendem a aumentar.
A inteligência artificial não elimina esse equilíbrio necessário.
Seu papel está em analisar e organizar os dados para ajudar a encontrar o ponto de equilíbrio mais adequado para cada operação, território e perfil de demanda.
Tecnologia aplicada à realidade da operação
Essa visão também se conecta às tecnologias apresentadas pela Optai durante a Latbus 2026.
No estande B21, compartilhado com Liftango e Instant System, foram realizadas demonstrações ao vivo de soluções como o Portal de Operações, com mapa de rotas em tempo real e quadro de programação, além de plataforma MaaS, transporte sob demanda integrado à rede de transporte público, mobilidade acessível e transporte escolar.
A Liftango e a Instant System são empresas cuja tecnologia a Optai distribui e integra com exclusividade no Brasil. A Optai responde integralmente pelo mercado brasileiro, incluindo captação de clientes, implantação de projetos e processos de suporte.
Assim, a discussão apresentada no painel não ficou restrita ao campo conceitual.
Ela se relacionou diretamente às tecnologias demonstradas durante o evento e à atuação da Optai no desenvolvimento de soluções para mobilidade.
Uma questão de equilíbrio
O principal ponto dessa discussão é que não existe uma única tecnologia capaz de resolver todos os desafios do transporte.
A capacidade continua sendo essencial para os grandes volumes de passageiros. A conectividade, por outro lado, exige soluções capazes de lidar com uma demanda diferente e complementar.
DRT e MaaS entram justamente nessa segunda dimensão.
E a inteligência artificial pode ajudar a organizar os dados e encontrar o ponto de equilíbrio entre custos, experiência e flexibilidade.
Mais do que substituir modelos existentes, trata-se de construir uma rede capaz de responder de maneira mais adequada às diferentes necessidades de mobilidade.
Foi a partir dessa perspectiva que a Optai levou sua experiência e suas tecnologias à Latbus 2026.


